Alex Oliveira – Redação Bahia.com.br
“Enquanto a grande quantidade de foliões enche as ruas de Salvador, mais de 2,9 mil catadores de latas avulsos percorrem o circuito do carnaval com o objetivo de aumentar o valor de sua renda mensal”, informa Joilson Santana, integrante do Complexo Cooperativo de Reciclagem da Bahia.
Os catadores, com idade entre 18 e 50 anos, são selecionados pelo Complexo Cooperativo e recebem alimentação, fardamento, equipamentos individuais de proteção e segurança, e apoio técnico nas centrais.
Novidade – Neste Carnaval, as cooperativas Amigos do Planeta, Coopersf, Camapet, Canore e Recicoop, irão receber do Governo da Bahia, uma linha de crédito de R$75 mil, valor decidido pela Secretária do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e pela Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia). Com este empréstimo, será possível a compra do material coletado pelos catadores avulsos, o estoque dos resíduos sólidos para que sejam vendidos após o período da festa, quando o valor das latinhas tem o seu preço elevado.
As latinhas recolhidas são vendidas por quilo, composto de 65 latinhas. O preço varia entre R$1,50 a R$2,00, dependendo de quanto à matéria prima virgem esteja sendo cotada.
Em 2000 foram produzidos 9,5 bilhões de latas. As indústrias de reciclagens movimentam a quantia de US$ 110 milhões por ano e empregam 150 mil pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Alumínio.
A porcentagem de latas de alumínio recicladas no Brasil em 2000 – apenas dez anos depois do aparecimento desse material no país – foi de 80%, um recorde entre os países mais populosos do mundo, segundo informações da agência Associated Press.
O Complexo Cooperativo de Reciclagem da Bahia desenvolve a campanha O trabalho decente preserva o meio ambiente, realizada desde 2004. O principal foco é a diminuição dos impactos ambientais causados pelo descarte inadequado durante o carnaval, melhores condições de trabalhos dos catadores avulsos e cooperativados e estabelecer uma relação de comércio justo e solidário.
Trabalho Infantil - Para evitar a exploração infantil, as cooperativas não compram o material coletado por crianças. Geralmente os menores que conseguem trabalhar são os maiores alvos de violência, devido a tornarem-se invisíveis no meio da grande multidão. “Pelo fato de as crianças não conseguirem vender suas latas, elas acabam sendo intermediadas pelos atravessadores, que as compram e tiram sua parte”, explica Santana.